Mensagem do pároco › 02/04/2014

Onde está Deus?

Onde está Deus?

 

Essa semana, um jovem fez-me essa pergunta diante de uma situação difícil. Conversamos muito e lembrei-me de um fato do pontificado do papa emérito Bento XVI: no dia 28 de maio de 2006, ele esteve no Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau, em sua visita à Polônia. Nesse local, na Segunda Guerra, morreram milhares de pessoas, na maioria judeus e ciganos. Eu fiquei impressionado, na época, com o discurso do Papa, tanto que o recordo até hoje. Se você ainda não o leu, faça, pois é uma reflexão belíssima.
Gostaria de destacar algumas frases e aspectos do discurso. Logo no início ele diz: “Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado, um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto?”. Indagações que muitos de nós também já podemos ter feito em algum instante de nossa vida. Em seguida, ele faz um apelo à reconciliação e à dignidade humana. E o Papa ainda diz: “Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus, vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a juízes de Deus e da história”(…) “O nosso grito a Deus deve ao mesmo tempo ser um grito que penetra o nosso próprio coração, para que desperte em nós a presença escondida de Deus para que aquele seu poder que Ele depositou nos nossos corações não seja coberto e sufocado em nós pela lama do egoísmo, do medo dos homens, da indiferença e do oportunismo”.

Essa reflexão do nosso Papa emérito me leva a silenciar o coração e a perceber quantas atitudes minhas desviam-me totalmente dos desígnios de Deus, dos caminhos que conduzem à minha condição de filho de Deus e irmão de todos os homens. Ainda hoje quantos sofrem com a injustiça, a intolerância, a discriminação, sofrem com a prepotência de alguns que se julgam o máximo. Ah! Que bom se aprendêssemos com esses erros do passado. Ainda usando as palavras de Bento XVI: “O passado nunca é apenas passado. Ele se refere a nós e indica-nos os caminhos que não devem ser percorridos e os que o devem ser”.

Sinto vontade de concluir essa reflexão com a mesma oração que o Papa terminou seu discurso. Diante de tantos “vales-escuros” que ainda atravessamos, o salmo 22 (23) é um grito de confiança: “O Senhor é meu pastor, nada me falta… Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo…”.

Também na conversa com o jovem terminamos rezando o mesmo salmo.

Deus o abençoe.

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