Mensagem do pároco › 10/06/2014

Algumas reflexões

Algumas reflexões

 

Pensando nesse artigo, lembrei-me da vez que fiquei três semanas de imobilidade no pé esquerdo por causa de uma torção que provocou o rompimento dos ligamentos do tornozelo. Foi um acidente bobo, decorrente de correr da chuva inesperada. Estar imóvel leva a uma dependência grande das pessoas que estão a nossa volta para fazer muitas coisas, até as mais habituais e básicas que fazemos automaticamente. Exige uma paciência… Não é fácil, mas ajudou-me em muitas reflexões. Partilho algumas com vocês.

Nem sempre as pessoas que estão próximas de você correspondem a essa necessidade sua. Porque não têm tempo ou porque não têm disposição ou porque não têm muito jeito ou não sabem o que fazer. Ao mesmo tempo, você descobre aquelas que são solidárias, afetuosas, que vencem as dificuldades de tempo, de limitação e são presença, ajuda, carinho. Algumas, nem tão próximas, fazem-se próximas. Não quero fazer nenhum julgamento. Estou refletindo para mim: como ser humano, como cristão, tenho a vocação da fraternidade. Daí que eu esteja atento em viver essa vocação também com os que estão próximos de mim, pois posso fazer grandes caridades ou ser muito solidário com pessoas distantes, mas esquecer de ser assim com quem está ao meu lado, mora comigo.

Outra reflexão concreta foi sobre a santidade das pequenas coisas. Que difícil, às vezes, ser paciente, manso, misericordioso, puro de coração, justo no cotidiano, nessas situações inesperadas e diante das atitudes humanas e limitadas das pessoas que nos chateiam. Mas é um caminho possível e acessível a todos nós: ser melhor, ser mais humano, mais santo no cotidiano e nas pequenas coisas da vida.

Por fim, partilho a reflexão da limitação humana. Não somos perfeitos nem somos para sempre. Temos um corpo complexo e belo, mas frágil, limitado. O que pode ser forte é nosso interior, é o que trazemos dentro de nós como valores, como sentido de vida. Nesse lugar profundo, original e individualizado, é possível encontrar-se com Deus, com os valores que nos fazem seguir em frente. Em muitos momentos solitários e desanimadores dessa recuperação, percebi a presença de Deus, o sentido da minha existência que é muito maior do que o que eu faço. A vida tem valor como dom, pelo que sou como ser humano, como filho de Deus.

Espero que essas reflexões pessoais colaborem com as suas reflexões.

Boa semana.

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